Já reparou que a dor no pescoço, nas costas ou nos ombros tende a melhorar quando faz uma pausa na sua rotina habitual? E que, depois de regressar ao trabalho, o desconforto começa gradualmente a voltar?
Este padrão pode ser uma pista importante: as exigências do seu dia a dia podem estar a ultrapassar aquilo que o seu corpo consegue tolerar confortavelmente neste momento.
As tarefas repetitivas, as posições mantidas durante longos períodos, o levantamento de cargas pesadas e a exposição a vibrações podem contribuir para o desconforto musculoesquelético. Estas exigências estão presentes em diferentes contextos, desde o trabalho de escritório até às profissões que envolvem esforço físico ou condução profissional. Os seus efeitos dependem da intensidade, da duração, do tempo de recuperação e das características de cada pessoa.
O facto de a dor melhorar durante as férias não significa necessariamente que um determinado tecido tenha sido sobrecarregado. Pode também estar a dormir melhor, a sentir menos stress ou a movimentar-se de forma diferente — fatores que podem influenciar a perceção da dor. No entanto, esta melhoria é um bom motivo para analisar a sua rotina diária.
Uma abordagem útil passa por considerar dois aspetos: as exigências a que está sujeito e a sua capacidade para lidar com elas.
Pequenas alterações podem tornar as atividades diárias mais fáceis de gerir. Faça pausas nas tarefas repetitivas, alterne entre diferentes atividades, mude de posição regularmente e procure incluir mais oportunidades de movimento ao longo do dia.
Isto não significa que deva evitar completamente a atividade física. Quando existem sintomas associados a esforços repetitivos, reduzir temporariamente uma atividade que agrava o desconforto, mantendo-se ativo e retomando-a de forma gradual, pode ser mais benéfico do que o repouso prolongado.
Além de ajustar a sua rotina, pode desenvolver gradualmente a força, a resistência e a confiança necessárias para realizar as atividades do dia a dia.
Isto pode incluir treino de força, caminhadas ou exercícios adaptados às tarefas em que sente mais dificuldade. Os exercícios de mobilidade e os alongamentos podem ajudar algumas pessoas a sentir-se mais confortáveis, enquanto o fortalecimento progressivo contribui para desenvolver a capacidade de lidar com as exigências físicas.
O ponto de partida e a progressão dos exercícios devem ser adequados aos seus sintomas e às suas capacidades.
A terapia manual pode ajudar a aliviar a dor e a melhorar o movimento, facilitando a manutenção de um estilo de vida ativo. No entanto, o alívio dos sintomas, por si só, não altera o seu horário de trabalho, as tarefas repetitivas ou os seus hábitos de exercício físico.

Esta abordagem está refletida nas recomendações do National Institute for Health and Care Excellence (NICE), uma entidade pública independente de Inglaterra que publica orientações de saúde baseadas na evidência científica.
No caso da dor lombar, o NICE recomenda que a terapia manual seja considerada como parte de um plano de tratamento que inclua exercício físico.
Se a dor regressa repetidamente quando retoma a mesma rotina, vale a pena olhar para além da sessão de tratamento.
O que pode ajustar ao longo do dia? Para que exigências pode preparar melhor o seu corpo, de forma gradual?
Uma melhoria duradoura envolve frequentemente ambos os aspetos: tornar as exigências diárias mais fáceis de gerir e desenvolver a capacidade física ao longo do tempo.
Referência: NICE, orientação NG59, recomendação 1.2.7: Terapias manuais.